21 Junho, 2011

Mulher de corpo de ampulheta

Mulher, esse teu corpo de ampulheta
faz o Tempo querer demorar-se nas tuas linhas,
em amenas conversas com a tua pele,
namorando-te as ancas largas
de mãe parideira,
encantando-se do teu bambolear caminhado
de quem jinga canções ao desafio...
Mulher,
no teu peito farto bate compassada
a sabedoria com que nasces abençoada,
nele alimentas a Vida
que o teu ventre aninha e mima,
e que trazes à Luz por entre abraços, lágrimas e risos...
Mulher,
quando o teu corpo de ampulheta dança,
as estrelas espelhadas nos teus olhos
e a barra do teu vestido rodopiando em côr,
os corações alegram-se na bênção de existires,
de seres a Deusa,
amante, companheira, amiga, irmã, mãe,
a que Ama sem olhar a quem
e aquece na noite fria os lábios do seu amado!