29 Novembro, 2011

A escola do amor-próprio


"Preocupa-me esta ideia completamente absurda de crescimento, que dá a entender que as crianças têm que ser jovens tecnocratas de fraldas antes dos seis, têm que ser jovens tecnocratas de mochila depois dos seis e têm que ser jovens tecnocratas de sucesso ao entrarem na universidade para que, finalmente – como se fosse uma linha de montagem –, saíssem todos mestres. Mestre é a designação mais vergonhosa que eu já vi para um título académico, porque é um título que reconhecemos aos bios." (Eduardo)

As palavras de Eduardo Sá dão-me o mote para esta nota, há muito a falar-me no coração, e que passa agora para os dedos.

Este fim-de-semana tentei explicar o meu sonho, a minha visão, o meu desejo à minha mãe. Uma professora reformada e com um coração de ouro que tentou afastar de si a imagem do que conheceu durante anos da sua vida profissional o tempo suficiente para me ouvir falar numa escola onde os miúdos aprendem, em primeiro lugar, quem são.

Abomino a competitividade que se instalou no sistema de ensino, na situação laboral, na vida familiar e social. Não concordo mesmo nada com esta ideia de "se não tiveres boas notas na escola não serás ninguém na vida". Ainda para mais quando a vida nos está a mostrar tão claramente que não são os títulos que nos são segurança.

Desde pequenos somos ensinados a competir. Estamos no restaurante com os nossos pais e andamos a correr entre as mesas e a primeira coisa que nos dizem é "estás a ver aquela menina a portar-se tão bem?". Hum, a menina é melhor do que eu. Esforça-se mais. Por isso merece mais.

Não!
Todos merecemos tudo.
E, mais que tudo, merecemos viver no nosso máximo potencial, coisa tão pomposa para apenas dizer que merecemos fazer o que nos faz brilhar, o que nos entusiasma quando acordamos de manhã e nos embala quando nos deitamos à noite, aquilo que o nosso coração conhece como ninguém.

E como chegamos a tratar por tu esse nosso dom individual, único, esse potencial de serviço que todos temos?
Pois eu acredito que é aprendendo a falar connosco mesmos.
Desde crianças, saber o que nos fascina, o que nos move.
Darem-nos as ferramentas para explorar, criar, mexer, fazer um pouco de tudo e muito de nada, até que o Universo nos direcciona naturalmente para o nosso caminho. Afinal, não podia ser de outra forma. 

Esta escola com que sonho é feita de Amor. É um espaço em que é permitido às crianças serem crianças, esses seres maravilhosos que não filtram o falar e o sentir.

"Somos também mal-educados para o amor. (...) No fundo, educam-nos para nós abotoarmos o coração até o último botão. E, às vezes, as pessoas despem-se facilmente por fora e têm dificuldade em perceber que o grande desafio da vida é despirmo-nos por dentro. É darmo-nos a conhecer por dentro." (Eduardo Sá).

Para mim, conhecermo-nos por dentro é o conhecimento mais fantástico que existe... e requer uma vida inteira de aprendizagens. Somos um mundo, cada um de s. Temos os nossos dons particulares, os nossos desafios, os nossos medos, luz e sombra.

Educarmo-nos para nos reconhecermos é o primeiro passo para descobrirmos aquilo em que somos únicos. Aquilo que temos para dar ao Mundo - porque é isso que nos vai fazer vibrar. Nos inundará de Amor.

Chega de avaliações numéricas ou qualitativas que nos "encaixam" num sistema que está a viver no passado. Ensinemos as nossas crianças a fazer aquilo que nasceram para fazer. Com Amor, criatividade, liberdade, carinho, compreensão e empatia. 

2 cores:

PARA ALÉM DO DECOTE disse...

É ISSO MESMO!!!!

Mag disse...

Obrigado e bem-vinda, Para além do decote! :)
Aproveito para dizer que sou super fã do vosso blog!!!