09 Janeiro, 2012

Aprender a Ser – uma visão transpessoal na Educação

Boas-vindas, Senhora Mudança!
O Mundo entrou em 2012 e o sopro da mudança, que vem prometendo acelerar as batidas cardíacas, romper com o que está comodamente instituído e agitar as almas até dos mais distraídos em breve se fará sentir com intensidade crescente.
Este paradigma de mudança reflecte-se em todos os cantos da sociedade, pelo que não há como contornar a vontade global de liberdade que os seres humanos, em cada canto, vêm a expressar desde algum tempo.
Liberdade, acima de tudo, para Ser. Para abraçar o que somos, quem somos, o que verdadeiramente desejamos e sentimos como trajecto de Vida.
A Educação tem um papel primordial na formação dos indivíduos; no entanto, hoje em dia vivencia-se esta experiência grandiosa e bela que é aprender – e educar – de uma forma castrada, com a primazia de um ensino que formata aprendizagens e pretende formar crianças, jovens e adultos com mentes de pensar e calcular totalmente similares. Potencia-se a competitividade, em nome da qual se perdem horas de sono (e de Vida) na expectativa de se ganhar a corrida para a meta de atingir um melhor emprego, um sorriso de orgulho na face dos pais, um futuro que se pensa(va) assegurado pela média numérica apresentada no canudo.
A Educação, no entanto, não se enruga e encolhe numa fórmula matemática de criação de pequenos génios. A Educação é, na verdade, tudo e todos, em cada momento. É o ensinar a sorrir, quando se sorri, o ensinar a chorar quando se chora, o ensinar a Amar quando se ama. Porque se aprende pela experiência, pela imitação dos adultos (pais, amigos, professores), aqueles que, quando criança, se vê como os nossos maiores ídolos.
A escola tem de abrir os braços para acomodar o grande espaço de aprender a Ser. Afinal, o que de mais importante se pode aprender? E isto, digo-vos, leva-nos anos. E conduz-nos à maior riqueza que podemos almejar – a nós mesmos.
Se estamos na escola dos 6 aos 18, ou até 23 anos, então é incontornável a importância da educação na formação do indivíduo. E é importantíssimo que essa educação o direccione para aquilo que naturalmente é o seu caminho, para que não andemos às aranhas a vida toda, pensando onde ficou, no trajecto, aquele entusiasmo voraz por viver. A criança interior perdida.

Educar para Ser
Todos nos debatemos com a mesma questão fundamental: quem Somos? Definimo-nos por qualidades e/ou defeitos, pela profissão que exercemos, pelo sexo, idade e estado civil, local de nascimento ou residência, mas… e a nossa Essência, o que diz de nós? Somos quem sempre desejámos Ser? Com que sonhávamos, em criança? Ainda existe espaço, nas nossas vidas corridas à pressa (creche/escola – trabalho – creche/escola – casa) para acomodar o sonho? Ou esse foi relegado apenas para a almofada?
Eu sou Margarida, mulher em constante descoberta de si mesma. Educadora de coração e vocação, caminho que a intuição sempre me soprou e que acabei por abraçar, como não podia deixar de ser.
Acredito numa escola em que cada criança é um indivíduo e, como tal, individual e única em si mesma. Importante, irrepetível, universal. Um misto de dons e apetências que deve ser estimulado de todas as formas, através da música, da arte, da dança, de relação com os seres vivos, com a terra, para que num ambiente de muito amor, respeito, empatia e compreensão as crianças possam descobrir aquilo de que gostam – e explorá-lo.
Cada criança única aprende através do seu caminho individual, da soma das experiências que a sua essência selecciona como importantes para o seu desenvolvimento como indivíduo – para o seu caminho.
A escola torna-se então um lugar de alegria, de troca, de partilha, em que tanto os educadores como os educandos se enriquecem aprendendo e ensinando ao mesmo tempo.
Um lugar onde as emoções se libertam em equilíbrio e protecção, onde há constante espaço para o diálogo, para a livre expressão do sentimento, sem tabus nem repressões. E sem pressão nem competitividade, porque cada um aprende quem É e o honra em consonância.